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terça-feira, 11 de julho de 2017

LUNAR (TEXTO DE MÁRIO QUINTANA)

As casas cerraram seus milhares de pálpebras.
As ruas pouco a pouco deixaram de andar.
Só a lua multiplicou-se em todos os poços e poças.
Tudo está sob a encantação lunar...

E que importa se um dos nossos artefactos
lá conseguiram afinal chegar?
Fiquem armando os sábios seus botoques:
a própria lua tem sua usina de luar...

E mesmo o cão que está ladrando agora
é mais humano do que todas as máquinas.
Sinto-me artificial como esta esferográfica.

Não tanto... Alguém me há de ler com um meio sorriso
cúmplice... Deixo pena e papel... E, num feitiço antigo, 
à luz da lua inteiramente me luarizo...

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

NOTURNO III (POEMA DE MÁRIO QUINTANA)

Um cartaz luminoso ri no ar
E mais outro... e mais! Ó noite, ó minha nega
Toda acesa
De letreiros,
Já pensaste como ainda serias mais linda
Muito mais
Se nós, os poetas, não soubéssemos ler?

QUINTANA, Mário. Baú de espantos. by Elena Quintana. São Paulo: Globo. In: AMARAL, Emília...[et. al.] Novas palavras: 3º ano. 2 ed. São Paulo: FTD, 2013. p. 354