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segunda-feira, 13 de abril de 2020

A DESPEDIDA AO CANTOR MORAES MOREIRA

Hoje, dia 13 de abril de 2020, pela manhã, o cantor e compositor baiano Antônio Carlos Moraes Pires - mais conhecido como Moraes Moreira - foi encontrado sem vida em seu lar, no Rio de Janeiro.

O laudo médico atestou infarto.

Ele estava com 72 anos. É um ícone da cultura brasileira.

Nasceu em Ituaçu (interior da BA) no dia 8 de julho de 1947. Algumas de suas músicas se destacaram no frevo; outras representam também a MPB e o samba. Será bastante lembrado, principalmente pelos carnavalescos.

Vi através de um vídeo que circulou pelo Whats App uma de suas produções, onde o mesmo aparece recitando, enaltecendo vários escritores brasileiros, dizendo o seguinte:

"Eu sou de um país
Machado de Assis
De lá dos Sertões
Eu sou Guimarães
Divino é o dom
Bandeira e Drummond
Darcy e Antônio
Anísio e Afrânio
Amado e Ubaldo
Sou mesmo baiano
Maldito e eterno
Boca do inferno
Eu sou Castro Alves
Até sou Gonçalves
Um pernambucano 
Gilberto e Ariano
Um ser paulistano
Sou Oswald de Andrade
Eu mudo de alcunha
Euclides da Cunha
José de Alencar 
A chama está viva
Eu sou Patativa
E sou do Rio Grande
Do Norte contudo
Antiga Cascudo
Piano e fortíssimo
Quintana e Veríssimo
Também sou do sul
E sob os auspícios
Sou Rubem e Vinícius
Do Rio e do céu
Clarice, Raquel,
Dos Anjos, de Campos 
Augustos são tantos 
Conforme o sotaque
Olavo Bilac
Sou pedra e pau
Eu sou João Cabral
Dois dedos de prosa
Eu sou Rui Barbosa
Poeta, poesia
De uma academia 
Chamada Brasil"

(É o poema Brasileira Academia).

segunda-feira, 17 de abril de 2017

18 DE ABRIL - DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL

Nenhuma tecnologia substitui o livro. Ele é um amigo e guarda segredos, sonhos, piadas, fábulas, cartas de amor, receitas de culinária, vitórias, derrotas, emoções, decepções, experiências, aventuras...

A data de hoje foi atribuída em homenagem a Monteiro Lobato (1882-1948), escritor de renome da literatura brasileira. Nascido em Taubaté, no interior de São Paulo, atuou como jornalista, autor de vários livros e tradutor de outros da área. Produziu livro para público infanto-juvenil e adulto.

Quem um dia não se encantou com o Sítio do Picapau Amarelo e personagens! (A vovó Benta, a tia Nastácia, a Cuca, o Visconde de Sabugosa com suas descobertas, o porquinho Rabicó, tio Barnabé, o Saci, Zé Carneiro, Zé Carijó, o burro falante, a Narizinho, o Pedrinho, a Emília, entre outros.) Quem lembra do Pirlimpimpim de Emília? Saudades!

Obras:
O Minotauro;    
As aventuras de Hans Staden;
Reinações de Narizinho;
Os Doze Trabalhos de Hércules;
Cidades Mortas;
Emília no País da Gramática;
Aritmética da Emília;
O museu da Emília;
Caçadas de Pedrinho;
A Chave do Tamanho;
As jabuticabas;
Geografia de Dona Benta;
Dom Quixote das Crianças;
Os sete leitõezinhos;
No tempo de Nero;
História do mundo para as crianças;
A pílula falante;
Memórias da Emília;
Histórias da tia Nastácia;
Diversas histórias;
A Negrinha;
Urupês;
O Jeca Tatu;
Monteiro Lobato e o Espiritismo;
História das Invenções;
      

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

FESTIVAL LITERÁRIO DE NATAL-FLIN 2016

Começa hoje, dia 14 de dezembro, e vai até 17, das 8h30min até meia-noite.

É uma mistura de música e literatura. Contará com a presença de grandes nomes da cultura brasileira.

A programação promete ser um grande evento, onde o cantor Moraes Moreira lançará um livro. Também haverá oficinas, recitais, shows, cordéis e debates entre cantores, que falarão dessa miscelânea (a música e a literatura de mãos dadas).

O local é a Ribeira, na Praça Augusto Severo.

Alunos estarão visitando, conhecendo esses trabalhos, e desse modo serão instigados a ser mais leitores, compositores e músicos, conforme o talento e o interesse de cada um, pois a oportunidade está sendo lançada.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

NAQUELA CADEIRA ESTÁ FALTANDO ELE

                                             (Fonte da foto: naufrago-da-utopia.blogspot.com)


A Academia Brasileira de Letras(ABL) perde um ilustre membro com o falecimento ocorrido na manhã do dia 4 de dezembro de 2016, no Rio de Janeiro. Estava internado devido à pneumonia. Trata-se de José Ribamar Ferreira, mais conhecido como Ferreira Gullar, poeta maranhense, de 86 anos. Foi também crítico de arte, teatrólogo, biógrafo (escreveu muitas memórias) e colunista da Folha de São Paulo, para a qual escrevia toda semana. 

Por suas fortes convicções políticas, fazia resistência à ditadura militar, por isso, viveu no exílio em Buenos Aires.

Reconhecido a nível nacional e internacional, foi indicado em diversas premiações. Por exemplo, ganhou o Prêmio Camões em 2010. E obtendo mais oportunidades de expandir seu trabalho, tornou-se imortal da Academia(ABL) em 2014. 

Este Blog já divulgou várias vezes poemas desse grande escritor. Confira nos marcadores "Poemas/Poesia, Ferreira Gullar".

Autor do Poema "Traduzir-se", que é conhecida como bela música na voz de Fagner, Gullar é fácil de traduzir-se, pois percebe-se que sua temática está comprometida em questionar o lado político e o social. Dessa forma, contribuiu grandemente para a cultura brasileira e fora do país.

domingo, 20 de novembro de 2016

A LÁGRIMA (AUGUSTO DOS ANJOS)

_ Faça-me o obséquio de trazer reunidos
Cloreto de sódio, água e albumina...
Ah! Basta isto, porque isto é o que origina
A lágrima de todos os vencidos!

_ "A  farmacologia e a medicina
Com a relatividade dos sentidos
Desconhecem os mil desconhecidos
Segredos dessa secreção divina. _"

_ O farmacêutico me obtemperou. _ 
Vem-me então à lembrança o pai Ioiô
Na ânsia física da última eficácia...

E logo a lágrima em meus olhos cai.
Ah! Vale mais lembrar-me eu de meu Pai
Do que todas as drogas da farmácia!

ANJOS, Augusto dos. Obra completa, op. cit. p. 490.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

AS POMBAS (RAIMUNDO CORREIA)

Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada...

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo, elas serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...

(CORREIA, Raimundo. In: LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS E REDAÇÃO, 8. Coleção enem & vestibulares - o passo decisivo para sua aprovação. Português II, gold editora, p.38)

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

DESTES PENHASCOS FEZ A NATUREZA (CLÁUDIO MANUEL DA COSTA)

Destes penhascos fez a natureza
O berço em que nasci: oh! quem cuidara
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza.

Amor, que vence os tigres, por empresa
Tomou logo render-me; ele declara
Contra o meu coração guerra tão rara,
Que não me foi bastante a fortaleza.

Por mais que eu mesmo conhecesse o dano,
A que dava ocasião minha brandura,
Nunca pude fugir ao cego engano:

Vós, que ostentais a condição mais dura,
Temei, penhas, temei, que Amor tirano,
Onde há mais resistência, mais se apura.

COSTA, Cláudio Manuel da. In: PROENÇA FILHO, Domício (Org.). A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Aguiar, 1996. p. 95.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

NOTURNO III (POEMA DE MÁRIO QUINTANA)

Um cartaz luminoso ri no ar
E mais outro... e mais! Ó noite, ó minha nega
Toda acesa
De letreiros,
Já pensaste como ainda serias mais linda
Muito mais
Se nós, os poetas, não soubéssemos ler?

QUINTANA, Mário. Baú de espantos. by Elena Quintana. São Paulo: Globo. In: AMARAL, Emília...[et. al.] Novas palavras: 3º ano. 2 ed. São Paulo: FTD, 2013. p. 354

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

PEQUENA CANÇÃO DA ONDA (TEXTO DE CECÍLIA MEIRELES)

Os peixes de prata ficaram perdidos,
com as velas e os remos, no meio do mar.
A areia chamava, de longe, de longe,
Ouvia-se a areia chamar e chorar!

A areia tem rosto de música
e o resto é tudo luar!

Por ventos contrários, em noite sem luzes,
do meio do oceano deixei-me rolar!

Meu corpo sonhava com a areia, com a areia,
desprendi-me do mundo do mar!

Mas o vento deu na areia.
A areia é de desmanchar.
Morro por seguir meu sonho,
Longe do reino do mar!


MEIRELES, Cecília Meireles. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1987. p. 145. In: CEREJA, William Roberto, MAGALHÃES, Thereza Cochar. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p.269.



terça-feira, 30 de agosto de 2016

O ENGENHEIRO (POEMA DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO)

A luz, o sol, o ar livre
envolvem o sonho do engenheiro.
O engenheiro sonha coisas claras:
superfícies, tênis, um copo de água.
O lápis, o esquadro, o papel;
o desenho, o projeto, o número;
o engenheiro pensa o mundo justo,
mundo que nenhum véu encobre.
(Em certas tardes nós subíamos
ao edifício. A cidade diária,
como um jornal que todos liam,
ganhava um pulmão de cimento e vidro.)

A água, o vento, a claridade
de um lado o rio, no alto as nuvens,
situavam na natureza o edifício
crescendo de suas forças simples.


MELO NETO, João Cabral de. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1994, p. 69-70. In: FARACO, Carlos Emílio. Língua portuguesa: linguagem e interação. 2. ed. São Paulo: Ática, 2013.  p.271.

sábado, 20 de agosto de 2016

A UM POETA (POEMA DE OLAVO BILAC)

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.

Não te mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Belezaa, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.

BILAC, Olavo. In: MOISÉS, Massud. A literatura brasileira através dos textos. 25. ed. São Paulo: Cultrix, 2006. p.232.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

HOJE É OUTRO DIA (MÁRIO QUINTANA)

Quando abro cada manhã a janela do meu quarto
É como se abrisse o  mesmo livro
Numa página nova...

QUINTANA, Mário. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005. p.855.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

MANEIRA DE AMAR (TEXTO DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)

     O jardineiro conversava com as flores, e elas se habituaram ao diálogo. Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um gerânio. O girassol não ia muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou porque os girassóis são orgulhosos de natureza.

     Em vão o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o girassol chegava a voltar-se contra a luz para para não ver o rosto que lhe sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na ocasião devida.

    O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma. E mandou-o embora, depois de assinar a carteira de trabalho.

     Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam-se porque não tinham induzido o girassol a mudar de atitude. A  mais triste de todas era o girassol, que não se conformava com a ausência do homem. "Você o tratava mal, agora está arrependido?" "Não", respondeu, "estou triste porque agora não posso tratá-lo mal. É a minha maneira de amar, ele sabia disso, e gostava."

ANDRADE, Carlos Drummond de. A cor de cada um. 13. ed. Rio de Janeiro: Record, 1997. p. 30. In: PENTEADO, Ana Elisa de Arruda...[et al.] 4. ed. São Paulo: Edições SM, 2015. - (Para viver juntos) p.280

sexta-feira, 1 de julho de 2016

A TROCA (TEXTO DE LYGIA BOJUNGA)

       Para mim, livro é vida; desde que eu era muito pequena os livros me deram casa e comida.
       Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé, fazia parede; deitado, fazia degrau de escada; inclinado, encostava num outro e fazia telhado. E quando a casinha ficava pronta eu me espremia lá dentro pra brincar de morar em livro.
        De casa em casa eu fui descobrindo o mundo (de tanto olhar pras paredes). Primeiro, olhando desenhos; depois, decifrando palavras.
         Fui crescendo; e derrubei telhados com a cabeça. Mas fui pegando intimidade com as palavras. E quanto mais íntimas a gente ficava, menos eu ia me lembrando de consertar o telhado ou de construir novas casas. Só por causa de uma razão: o livro agora alimentava a minha imaginação.
        Todo dia a minha imaginação comia, comia e comia; e de barriga assim toda cheia, me levava pra morar no mundo inteiro: iglu, cabana, palácio, arranha-céu, era só escolher e pronto, o livro me dava.
        Foi assim que, devagarinho, me habituei com essa troca tão gostosa que - no meu jeito de ver as coisas - é a troca da própria vida; quanto mais eu buscava no livro, mais ele me dava.
        Mas como a gente tem mania de sempre querer mais, eu cismei um dia de alargar a troca: comecei a fabricar tijolo pra - em algum lugar - uma criança juntar com outros, e levantar a casa onde ela vai morar.

BOJUNGA, Lygia. Livro: um encontro com Lygia Bojunga. 2. ed. Rio de Janeiro. Agir, 1998. In: OLIVEIRA, Tania Amaral de... [et al]. Tecendo Linguagens - Língua portuguesa: 7º ano. 4ª ed. São Paulo: IBEP, 2015. p.125-126
          


        
        

quarta-feira, 22 de junho de 2016

LÍNGUA PORTUGUESA (OLAVO BILAC)

Última flor do Lácio, inculta e bela, 
és, a um tempo, esplendor e sepultura:
ouro nativo, que na ganga impura
a mina bruta entre os cascalhos vela...

amo-te assim, desconhecida e obscura,
tuba de alto clangor, lira singela
que tens o trom e o silvo da procela,
e o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
de virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi:"meu filho"!
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
o gênio sem ventura e o amor sem brilho!

BILAC, Olavo. IN: BERNARDI, Francisco. As bases da literatura brasileira: história, autores, textos e testes. São Paulo: AGE, 1999. p.135.



quarta-feira, 1 de junho de 2016

CIDADE SEM RIO (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)

O rio Amazonas é o maior do mundo,
mas o rio do  Tanque é o menor,
(Deslizava na fazenda de meu irmão)
O rio Doce banha terras amargas
de maleita, ferro e melancolia.
O córrego da Penha, esse, coitado,
mal fazia um poço raso
onde a gente, fingindo, se banhava.
Talvez porque me faltasse água corrente,
Hoje a tenho represada nos olhos
e neste vago verso fluvial.

Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia.  Rio de Janeiro:Nova Aguilar, 2002.

terça-feira, 31 de maio de 2016

ANÍMICO (ADÉLIA PRADO)

Nasceu no meu jardim um pé de mato
que dá flor amarela.
Toda manhã vou lá pra escutar a zoeira
da insetaria na festa.
Tem zoado de todo jeito:
tem do grosso, do fino, de aprendiz e de mestre.
É pata, é asa, é boca, é bico,
é grão de poeira e pólen da fogueira do sol.
Parece que a arvorinha conversa.

PRADO, Adélia. Poesia reunida. São Paulo: Siciliano, 1999. p. 69. In: 

sábado, 16 de janeiro de 2016

MATERIALISTA DE MEIA-PATACA (TEXTO DE NEIMAR DE BARROS)

Que outra prova você quer de Deus?


Assinaturas com firmas registradas
De Lucas, João, Marcos e Mateus?
Mais nada ???

Não quer um xerox do testamento de Abraão?
Uma foto da despedaçada Arca de Noé?
As folhas secas das parreiras de Eva ou Adão?
Não quer o vídeo-tape das Leis dadas a Moisés?
Você quer prova, prova maior que o sol?
No entanto, você nada vê, fechado como egoísta caracol.

Quer um “slide” colorido da Torre de Babel?
Quer o Sermão da Montanha gravado em fita?
Quer a luneta de quem viu abrir o céu?
Quer a mesa da Santa Ceia arrumada e bonita?
Quem sabe quer o galo que cantou duas vezes?
Ou quer a coroa que rasgou a fronte de Cristo?
Ou quer o relógio que marcou seus últimos meses?

Você quer prova, eu darei, não desisto!
Quer o original do repórter das Oliveiras?
Quer o filme da caminhada do Calvário?
Quer a corda em que Judas fez a besteira?
Já vi, você quer tirar Deus do seu dicionário!
Pois então, materialista de meia-pataca,
Entre com seus sábios num laboratório,
De uma vez,
E com todas suas ciências imbecis e fracas,
Faça um homem como só Deus fez:

Com raciocínio, personalidade,
Com liberdade unida a responsabilidade,
Coloque fé e graça
E dê-lhe talentos para sair pelo mundo.
Assim Deus morrerá na história que passa.
Mas, se não conseguir nas tentativas,
Humilhe-se, reconhecendo o erro

E colocando sua “genialidade” em desterro
Saiba que somos nada sem Ele,
Viemos e vamos para Ele,
Mas ele nos dá opção.
E eu quero morrer pedindo sua mão.

Vou caminhando,
Tropicando,
Errando,
Levantando,
Mas reconhecendo que Deus é bom
E gritando a todo segundo:
“Sagra este mundo!
Paz! Paz! Paz!”


Fonte: https://murilosv.wordpress.com/2010/10/13/362/

domingo, 20 de setembro de 2015

CORA CORALINA


Um repórter perguntou à poeta Cora Coralina o que é viver bem. Ela lhe disse:
"Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice.
E digo pra você, não pense.
Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo.
Eu não digo que estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco.
É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê.
O bom é produzir sempre e não dormir de dia.
Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.
Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.
Eu não digo nunca que estou cansada.Nada de palavra negativa.
Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica.
Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!
Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha, não. Você acha que eu sou?
Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser.
Filha dessa abençoada terra de Goiás.
Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos.
Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.
Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.
O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.
Digo o que penso, com esperança.
Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.
Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.
Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir."


(Texto compartilhado do Facebook)