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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

CONTRANARCISO (TEXTO DE PAULO LEMINSKI)

em mim
eu vejo o outro

e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas

o outro
que há em mim
é você
você
e você

assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós


Poema do escritor brasileiro, Paulo Leminski (1944-1989), citado por uma palestrante no Seminário dos 27 anos do ECA-Guamaré-RN, realizado no dia 24/08/2017.

Foi um conteúdo bem pertinente, pois é impossível de falar de políticas públicas sem pensar no outro.

Ele nasceu no dia 24 de agosto de 1944. Vejam! A data do evento foi no século XXI e a data do nascimento dele foi a mesma, sendo que foi no século XX. É um simples detalhe, mas gostei de saber. 

domingo, 27 de novembro de 2016

O ASSASSINO ERA O ESCRIBA (TEXTO DE PAULO LEMINSKI)

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito
                                                                     [inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,
regular como um paradigma da 1ª conjugação.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar como um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA. 
Não deu.
Acharam um artigo indefinido na sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

LEMINSKY, Paulo. Caprichos e relaxos. São Paulo: Brasiliense, 1983. In: Português especial ENEM. Editora Saraiva. p. 79.