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terça-feira, 26 de outubro de 2021

GUAMARÉ EM VERSOS

Não venho falar asneiras

Mas de belezas naturais

Pessoas hospitaleiras

Atraentes e bem legais


De empresas petroleiras

Dunas e manguezais

Camarões nos viveiros

Fatos históricos reais


Para se apreciar da cadeira

Deixando curiosos os demais

Ou debruçado numa porteira

Contemplando os pombais


E a lua por trás da bananeira

Vista por solteiros e casais

Do centro e da fronteira

Em dias de festa e normais


Assim Guamaré vem festeira

Mostrando novos visuais

Como uma águia altaneira

Em seus voos pontuais


Posicionada como primeira

A ser divulgada nos jornais

Como uma cidade salineira

Próspera entre outros litorais


Também é companheira

Sem esquecer jamais

De sua raiz ribeira

Rica nos aspectos gerais


Samara Gadelha de Miranda, 26/10/2021.








domingo, 27 de setembro de 2020

CORRENDO ATRÁS DE TUDO

De tudo resta uma lembrança

boa ou ruim

De tudo resta uma saudade

doce ou amarga

De tudo fica uma vontade 

de começar, continuar ou terminar

De tudo fica uma experiência

De tudo surge uma pergunta 

ou uma resposta

De tudo a gente se acostuma

De tudo a gente reclama

De tudo a gente quer saber

De tudo a gente ri ou chora

De tudo que é mau ou bom 

a gente foge

De tudo a gente quer falar

De tudo a gente quer entender

De tudo a gente cansa

Mas acaba sentindo falta de tudo

É melhor desconfiar de tudo

e ficar com quase tudo

Justamente por não saber de tudo

Samara Gadelha de Miranda, 27/09/2020.


quarta-feira, 16 de setembro de 2020

NO DESCOMEÇO ERA O VERBO (TEXTO DE MANOEL DE BARROS)

No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função do verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é voz de fazer 
nascimentos -
O verbo tem que pegar delírio.

BARROS, Manoel de. O livro das ignorãças. Rio de Janeiro: Record, 1993.

domingo, 30 de agosto de 2020

RECADO DO CORAÇÃO

 A vida aqui só é ruim

Quando se odeia o irmão

Pois se amar até o fim

Isso alegra o coração


Traz sentido à vida

A pessoa ser amada

Mostra que é querida

E também lembrada


O mundo está carente

Essa é uma verdade

Existe mais patente

E menos humildade


Precisamos enxergar

O outro ao redor

Para não se transformar

Numa pessoa pior


Eu abro o coração

Faça você também

O que fazer então?

Plante somente o bem


Samara Gadelha de Miranda, 30/08/2020.

domingo, 12 de julho de 2020

RIMANDO EM TEMPO DE PANDEMIA

Já fiz muita poesia 
Falei sobre harmonia 
Paz e alegria

Mas mudei o repertório
Acompanhei o falatório 
Vou fazer meu relatório

À noite e de dia
Só se fala em pandemia
Seja  com João ou Maria

No Brasil e em outro lugar
Eu vejo e ouço falar
Que a doença vai piorar

Colocar máscara é agir
É ordem a cumprir
Para se prevenir

Tomar algum remédio
Não sair de casa ou prédio
Aguentar firme o tédio

Sofremos isolados
Por meses distanciados
Sem abraços, separados

No interior e na capital
O drama é real
Com todo esse mal

Que passe logo esse pavor
Leve de nós essa dor,
Deus, nosso SENHOR!

Para estendermos a mão
Aquecermos o coração
Com mais união

E haver solidariedade
Matarmos toda saudade
Contarmos novidade

Assim encaramos a vida
Enfrentando COVID na lida
Sentindo de muitos a partida

Foi pressão psicológica
Entender essa lógica
De forma pedagógica

Vi que sofrer não é minha sina
Amar faz bem como vacina
É uma dádiva divina

Por isso vou encerrar a rima
Falar em amor me anima
Para estar sempre pra cima


Samara Gadelha de Miranda, 12/07/2020.



terça-feira, 25 de junho de 2019

ESPELHO DA SAUDADE


De repente bate uma saudade
Que invade meu peito
Chega espantando a maldade
E me deixa sem jeito

Não tenho como esconder
Dá vontade de chorar
Espero uma mão me acolher
E um colo para sentar

Uma perda indomável
Abre uma ferida que dói
Mas a fé inabalável
A esperança reconstrói

Essa saudade tem nome
De mãe, avô, avó e tio
Cada lágrima se consome
Quando olho para um rio

É o espelho silente
Que reflete o que sofro
Mas procuro ser contente
Pois ele leva o meu choro

Volta no outro dia, isso é certo
Porque quem amou na vida
Tem alguém sempre perto
Vivo ou na lembrança querida

Samara Gadelha de Miranda, 25/06/2019.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

A CIÊNCIA DO VIVER

Hoje eu não quero corrigir erros de português
Quero a leveza do pão francês
Sair da rotina
Abrir a janela e puxar a cortina
Receber o sol
No resplendor do arrebol
Esquecerei um pouco a fama
Ficarei de preguiça na cama
Empurrarei a tristeza da minha frente
Quero sentir que estou viva, que sou gente
Deixarei fluir o pensamento
Vou me encher de sentimento
Não pensar em regras gramaticais
Para ter momentos sensacionais
Sairei um pouco da formalidade
Esquecerei a idade
Farei poesia
Esperarei mais alegria
Irei apenas curtir
O que ainda está por vir
Pararei para ler um livro de piada
Nesse frio da madrugada
Depois farei oração
Falarei do fundo do coração
Com Deus tenho aliança
De que a pessoa que espera alcança
Sempre pronta para o bem colher
E assim conjugarei o verbo viver

Samara Gadelha de Miranda, 19-06-2019.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

NOITADA

Ó céu estrelado!
De hoje e do passado
Em que eu ficava e fico encantada
Nas noites, de olho arregalado
Grudado, grelado
Ao contrário do povo entediado
Que não vê beleza na noite iluminada
Depois que diz adeus ao dia ensolarado

Eu fico aqui parada
Como se no chão estivesse pregada
De saudade extasiada
Esperando chegar do trabalho o meu amado
Em vez de ficar angustiada
Com o mundo de ódio envenenado
Das brigas e do bolso endividado

E assim me transporto para o outro lado
Onde tudo é real e não fantasiado
Pois existe o toque de Deus espalhado
Neste cenário mencionado
Que foi com amor preparado

Samara Gadelha de Miranda, 07/08/2018.

terça-feira, 24 de julho de 2018

SOSSEGO

Paro e vou refletir
No silêncio da madrugada
Esperando para curtir
Mais uma manhã ensolarada

O dia vai abrindo lentamente
Tento dormir, mas o sono fugiu
Cenas passam na minha mente
Penso em Jesus que me remiu

Tento relaxar, mas é em vão
Leio, oro, arrumo objetos
Enquanto acalmo o coração
Medito na vida e nos afetos

Como é bom ficar a sós
Em um momento só meu
Procurar desatar os nós
Do meu caminho e do seu

Penso em mim e no amigo
Na oração eu me enlevo
De bem eu posso dizer que fico
E os problemas a Deus entrego

Samara Gadelha de Miranda. 
Guamaré, 24/07/2018.

domingo, 8 de julho de 2018

TORCENDO POR VOCÊ (POEMA DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)

Mesmo antes de nascer, já tinha alguém torcendo por você.
Tinha gente que torcia para você ser menino.
Outros torciam para você ser menina.
Torciam para você puxar a beleza da mãe, o bom humor do pai.
Estavam torcendo para você nascer perfeito.
Daí continuaram torcendo.
Torceram pelo seu primeiro sorriso, pela primeira palavra, pelo primeiro passo.
O seu primeiro dia de escola foi a maior torcida. E o primeiro gol, então?
E de tanto torcerem por você, você aprendeu a torcer.
Começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar Papai Noel.
Torcia o nariz para o quiabo e a escarola.
Mas torcia por hambúrguer e refrigerante.
Começou a torcer até para um time.
Provavelmente, nesse dia, você descobriu que tem gente que torce diferente de você.
Seus pais torciam para você comer de boca fechada, tomar banho, escovar os
dentes, estudar inglês e piano.
Eles só estavam torcendo para você ser uma pessoa bacana.
Seus amigos torciam para você usar brinco, cabular aula, falar palavrão.
Eles também estavam torcendo para você ser bacana.
Nessas horas, você só torcia para não ter nascido.
E por não saber pelo que você torcia, torcia torcido.
Torceu para seus irmãos se ferrarem, torceu para o mundo explodir. E quando
os hormônios começaram a torcer, torceu pelo primeiro beijo, pelo primeiro amasso.
Depois começou a torcer pela sua liberdade.
Torcia para viajar com a turma, ficar até tarde na rua.
Sua mãe só torcia para você chegar vivo em casa. Passou a torcer o nariz
para as roupas da sua irmã, para as ideias dos professores e para qualquer
opinião dos seus pais. Todo mundo queria era torcer o seu pescoço.
Foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro.
Torceu para ser médico, músico, advogado.
Na dúvida, torceu para ser físico nuclear ou jogador de futebol.
Seus pais torciam para passar logo essa fase.
No dia do vestibular, uma grande torcida se formou.
Pais, avós, vizinhos, namoradas e todos os santos torceram por você.
Na faculdade, então, era torcida pra todo lado. Para a direita, esquerda,
contra a corrupção, a fome na Albânia e o preço da coxinha na cantina.
E, de torcida em torcida, um dia teve um torcicolo de tanto olhar para ela.
Primeiro, torceu para ela não ter outro.
Torceu para ela não te achar muito baixo, muito alto, muito gordo, muito magro.
Descobriu que ela torcia igual a você.
E de repente vocês estavam torcendo para não acordar desse sonho. Torceram
para ganhar a geladeira, o micro-ondas e a grana para a viagem de lua-de-mel.
E daí pra frente você entendeu que a vida é uma grande torcida. Porque,
mesmo antes do seu filho nascer, já tinha muita gente torcendo por ele.
Mesmo com toda essa torcida, pode ser que você ainda não tenha conquistado
algumas coisas.
Mas muita gente ainda torce por você!
Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) do mundo, mas a poesia (inexplicável) da vida.
Eu torço por você! 

https://www.pensador.com/frase/MTE5MDAxOA/Acesso em 08/07/2018, às 11h06min.

terça-feira, 10 de abril de 2018

A VOZ DE DEUS

A chuva forte me trouxe recordações
Vendo pessoas correndo
Os relâmpagos clareando a cidade
Os raios riscando o céu
Também ouvindo o barulho dos trovões
E olhando os rostos temerosos
Das meninas e dos meninos nervosos

Ontem, esse foi o visual do interior,
Guamaré, minha terna cidade
Mexeu com o meu interior
Trazendo lembranças da infância
Do meu tempo primário

Quando criança eu tinha medo
Tomava o banho de chuva na bica
E me escondia desse cenário
Agora acho tudo extraordinário
Na hora fixo o olhar; ali a emoção fica

Entro em sintonia com os céus
Imagino ser a voz de Deus
Que de um jeito especial
Quer se revelar aos filhos seus
Emociona até os que se dizem ateus

Samara Gadelha de Miranda
Guamaré, 10 de abril de 2018.

quarta-feira, 28 de março de 2018

EU SOU AQUELA MULHER (POEMA DE CORA CORALINA)

Eu sou aquela mulher
a quem o tempo muito ensinou.
Ensinou a amar a vida
e não desistir da luta,
recomeçar na derrota,
renunciar a palavras
e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos
e ser otimista.
Creio na força imanente
que vai gerando a família humana,
numa corrente luminosa
de fraternidade universal.
Creio na solidariedade humana,
na superação dos erros
e angústias do presente.
Aprendi que mais vale lutar
do que recolher tudo fácil.
Antes acreditar do que duvidar.

CORALINA, Cora. Disponível em http://www.construirnoticias.com.br/eu-sou-aquela-mulher/ Acesso em 28/03/2018.

ASSIM EU VEJO A VIDA (POEMA DE CORA CORALINA)

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

CORALINA, Cora. Disponível em http://www.releituras.com/coracoralina_vida.asp  
 Acesso em 28/03/2018.

sexta-feira, 16 de março de 2018

14 DE MARÇO - UM DOS DIAS DA POESIA

O chão reproduz
do mar
o chão para o mar
o chão reproduz
com o mar

O chão pare a árvore
pare o passarinho
pare a
rã - o chão
pare com a rã
o chão pare de rãs
e de passarinhos
o chão pare 
do mar

O chão viça o homem
no olho
do pássaro, viça
nas pernas
do lagarto 
e na pedra

Na pedra
o homem empeça
de colear
advém de lagarto
e não incorre em pássaro

Colear induz
para rã e caracol
Colear
sofre de borboleta
e prospera
para árvore
colear
prospera 
para o homem

O homem se arrasta
de árvore
escorre de caracol
nos vergéis
do poema

O homem se arrasta
de ostra
nas paredes
do mar

O homem
é recolhido com destroços
de ostras, traços de pássaros
surdos, comidos de mar

O homem 
se incrusta de árvore
na pedra, do mar.

Fonte: BARROS, Manoel de. Gramática Expositiva do Chão. Rio de JaneiroEd. Record, 2004, p.31-34. 
Também já foi publicado pela Ed. Civilização Brasileira (1990); Ed. Record (1999); Ed. Leya (2010);

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

AS CRIANÇAS APRENDEM O QUE ELAS VIVEM (POEMA DE DORIS LAW NOLTE)

Se uma criança é criticada,
ela aprende a condenar.
Se uma criança é maltratada,
ela aprende a brigar.
Se uma criança é ridicularizada,
ela aprende a ser tímida.
Se uma criança é envergonhada,
ela aprende a carregar a culpa.
Se uma criança é tolerada,
ela aprende a ter paciência.
Se uma criança é encorajada,
ela aprende a ter confiança.
Se uma criança é valorizada,
ela aprende a valorizar.
Se uma criança é tratada com justiça,
ela aprende a ser justa.
Se uma criança recebe segurança,
ela aprende a ter fé.
Se uma criança recebe aprovação,
ela aprende a se amar.
Se uma criança se sente aceita e amada,
ela aprende a encontrar amor no mundo.

Fonte: Lições para Pequenos Grupos 2016. Um novo jeito de viver em comunidade. Casa Publicadora Brasileira. p.86.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

POEMA DA NECESSIDADE (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)

É preciso casar João,
é preciso suportar António,
é preciso odiar Melquíades, 
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbedo,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher a flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens, 
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar o FIM DO MUNDO.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Poema da necessidade. Nova reunião: 23 livros de poesia. v.1. Rio de Janeiro: BestBolso, 2009. p, 84-85. 

terça-feira, 11 de julho de 2017

LUNAR (TEXTO DE MÁRIO QUINTANA)

As casas cerraram seus milhares de pálpebras.
As ruas pouco a pouco deixaram de andar.
Só a lua multiplicou-se em todos os poços e poças.
Tudo está sob a encantação lunar...

E que importa se um dos nossos artefactos
lá conseguiram afinal chegar?
Fiquem armando os sábios seus botoques:
a própria lua tem sua usina de luar...

E mesmo o cão que está ladrando agora
é mais humano do que todas as máquinas.
Sinto-me artificial como esta esferográfica.

Não tanto... Alguém me há de ler com um meio sorriso
cúmplice... Deixo pena e papel... E, num feitiço antigo, 
à luz da lua inteiramente me luarizo...

terça-feira, 6 de junho de 2017

SER E SABER (LÊDO IVO)

Vi o vento soprar
e a noite descer.
Ouvi o grilo saltar
na grama estremecida.

Pisei a água
mais bela que a terra.
Vi a flor  abrir-se
como se abrem as conchas.

O dia e a noite se uniram 
para ungir-me.
O enlace de luz e sombra
cingiu os meus sonhos.

Vi a formiga esconder-se
na ranhura da pedra.
Assim se escondem os homens
entre as palavras.

A beleza do mundo me sustenta.
É o formoso pão matinal
que a mão mais humilde deposita
na mesa que separa.

Jamais serei um estrangeiro.
Não temo nenhum exílio.
Cada palavra minha
é uma pátria secreta.

Sou tudo o que é partilha
o trovão a claridade
os lábios do mundo
todas as estrelas que passam.

Só conheço a origem:
a água negra que lambe a terra
e os goiamuns à espreita
entre as raízes do mangue.

Só sei o que não aprendi:
o vento que sopra
a chuva que cai
e o amor.

IVO, Lêdo. Crepúsculo civil. Rio de Janeiro: Record, 1990, p. 14-5. In: INFANTE, Ulisses. Textos: Leituras e escritas. Volume único. 1. ed. São Paulo: Scipione, 2006. p. 235

segunda-feira, 5 de junho de 2017

A IDEIA (POEMA DE AUGUSTO DOS ANJOS)

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas da laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica...

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica!

ANJOS, Augusto dos. Eu. Outras poesias. Poemas esquecidos. 31. ed. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1971. p. 61. In: INFANTE, Ulisses. Textos: Leituras e escritas. 1. ed. São Paulo: Scipione, 2006. Volume único. p. 454

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Ismos e ismos (Texto de Tatiana Belinky)

Os tais "ismos" são atitudes
De grupos, com suas "virtudes".
Uns maravilhosos -
Outros horrorosos -
Distingui-los é "bom pra saúde".

Coisas ruins que terminam em "ismo" -
Fanatismo, fascismo, machismo -
Mas digo sem rodeios
Que um dos mais feios
É um tal de "puxa-saquismo".

Mas também há bonitos "coisismos" -
Heroísmo, humanismo, altruísmo -
Mas pra vida geral
Um que é fundamental 
É um senso de humor, sem cinismo.

Outros tipos existem com "ismo" -
"Bom-mocismo" e o tal do "achismo" -
Meio dúbios os tais -
Maus ou bons? Não demais:
Dependendo do teu pragmatismo.

Certos "ismos", diversificados,
Podem mesmo ser bem empregados:
Como o macambuzismo
E o nefelibatismo -
Duros de serem assimilados.

Ismo é um companheirismo
Ismo ruim é o caradurismo
Iatismo faz bem 
E surfismo também -
Chega - invente o seu próprio ismo!

BELINKY, Tatiana. O livro de Tatianices. São Paulo: Salamandra, 2004, p. 38-41.