domingo, 4 de agosto de 2013

VALORIZANDO O NORDESTE COM PATATIVA DO ASSARÉ


Caboclo Roceiro

Caboclo roceiro, das plaga do Norte
Que vive sem sorte, sem terra e sem lar,
A tua desdita é tristonho que canto,
Se escuto o meu pranto me ponho a chorar

Ninguém te oferece um feliz lenitivo
És rude e cativo, não tens liberdade
A roça é teu mundo e também tua escola
Teu braço é a mola que move a cidade

De noite tu vives na tua palhoça
De dia na roça de enxada na mão
Julgando que Deus é um pai vingativo,
Não vês o motivo da tua opressão

Tu pensas, amigo, que a vida que levas
De dores e trevas debaixo da cruz
E as crides constantes, quais sinas e espadas
São penas mandadas por nosso Jesus

Tu és nesta vida o fiel penitente
Um pobre inocente no banco do réu
Caboclo não guarda contigo esta crença
A tua sentença não parte do céu

O mestre divino que é sábio profundo
Não faz neste mundo teu fardo infeliz
As tuas desgraças com tua desordem
Não nascem das ordens do eterno juiz

A lua se apaga sem ter empecilho,
O sol do seu brilho jamais te negou
Porém os ingratos, com ódio e com guerra,
Tomaram-te a terra que Deus te entregou

De noite tu vives na tua palhoça
De dia na roça, de enxada na mão
Caboclo roceiro, sem lar, sem abrigo,
Tu és meu amigo, tu és meu irmão.


Antônio Gonçalves da Silva (Patativa do Assaré) (1909-2002)

______________

Eu tiro o chapéu para este nordestino. Ele é um ícone da luta, da resistência e do sonho. Nele identifico minhas raízes com a sabedoria popular do "matuto", como a si mesmo se referia.

Este poema é uma demonstração do amor do poeta ao nordeste brasileiro. Ele narra a tradição desse povo sofrido, castigado pela seca, esquecido pelos políticos.

Seus poemas e poesias apresentam a mesma temática. Por exemplo: 
O Poeta da Roça; 
Cante lá que eu canto cá; 
Vaca Estrela e Boi Fubá (tornou-se música gravada por Fagner); 
Triste Partida (tornou-se música gravada por Luiz Gonzaga).

Todo este repertório trago em minhas lembranças, porque a minha família sempre esteve ligada às raízes do nosso país, que sem a figura do "caboclo" não pode ser Brasil.

Ouvi muitos repentes de Patativa do Assaré em fita cassete, na década de 80, e sei que ele chegou a ser convidado por algumas Universidades Federais para ser entrevistado.

Era uma pessoa iluminada por Deus, porque o seu conhecimento não vinha dos livros, pois frequentou poucos dias a escola. Era tudo fruto de sua vivência no Nordeste.


sábado, 3 de agosto de 2013

AS BEM-AVENTURANÇAS


Disse Jesus:
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
Bem-aventurados sois vós, quando vos perseguirem, e mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.

(Mateus 5: 3-11)

Fonte: Bíblia Sagrada, Versão Revista e Corrigida na grafia simplificada, da tradução de João Ferreira de Almeida.

POEMA "TECENDO A MANHÃ" (DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO)

                      1
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
                          2
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão. 

MELO NETO, João Cabral de. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995.

POEMA "AS DORES DO MUNDO" (DE ELIAS JOSÉ)

"Sinto bem fundo
todas as dores do mundo.
Só que meu poema
não conseguiu tocar
em feridas maiores.
Abro os jornais
e leio e choro e me arrepio
com a fome
com a guerra
com a aids
com a violência
com a destruição
do verde e da vida.
Tento escrever,
mas sai um poema impotente.
Fico pensando:
As dores do mundo
pedem canções
ou exigem ação?"

Elias José, Cantigas de adolescer.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

É HORA DE RECICLAR



Viajo sempre por alguns interiores do nosso estado (RN), e por isso fico à vontade para falar da realidade que conheço, que não difere muito de outras cidades. Vejo sacolas plásticas à beira da estrada, peça de roupa, fralda descartável; se é numa praia: canudo, latinha, coco verde, copo descartável, tudo jogado nos rios e mares. Que falta de consciência do ser humano!

Vamos pensar mais na saúde do planeta e na nossa. Cada objeto possui seu tempo de vida. Até se decompor há um longo caminho a ser precorrido, e vai deixando algum comprometimento para o solo e o ar. E como fica o lençol freático? Já numa feira ou mercado algumas pessoas escorregam em casca de fruta. Todos esses espaços podem e devem ser ocupados, porém, com organização. É aí que eu digo que a educação e a saúde caminham juntas.

O tempo de decomposição depende dos produtos e do meio ambiente em que se encontram, vejamos:
Guardanapo de papel: 3 meses
Garrafas plásticas - 500 anos
Lata de alumínio - de 100 a 500 anos
Pilhas e baterias - 100 a 500 anos
Tecido de algodão - 6 meses a 1 ano
Madeira pintada, envernizada - 12 anos
Isopor - indeterminado
Filtro de cigarros - 5 anos
Sacos e sacolas - mais de 100 anos
Papel e papelão - de 3 a 6 meses
Casca de frutas - 3 meses
Chiclete -  5 anos
Vidro - indeterminado
Borracha - indeterminado
Palito de fósforo - 2 anos

Aqui fica meu apelo: vamos reutilizar as caixas de sapato como porta-treco; as caixas de doce e sorvete; embalagens de cosméticos e de amaciantes de roupa, e assim, poderemos diminuir o amontoado dos lixões. Também podem ser usados CDs em material decorativo. Vamos fazer a coleta seletiva do lixo com responsabilidade, usar a criatividade e ganhar qualidade de vida.

SOBRENOMES COMPOSTOS

Eis alguns sobrenomes que são unidos sem hífen ou preposição:

Gal + Dino.............Galdino
Gal + Vão..............Galvão
Abe + Cassis..........Abecassis
Aga + Vino..............Agavino
Agri + Pino.............Agripino
Gari + Baldi...........Garibaldi
Cola + Santi...........Colasanti
Gui + Marães.........Guimarães
Guy + Ton...............Guyton
Val + Verde............Valverde
Verde + Lago.........Verdelago
Pena + Forte...........Penaforte
Pena + Gate............Penagate
Lima + Verde..........Limaverde
Negro + Monte........Negromonte
Monte + Negro........Montenegro
Villa + Alba..............Villalba
Vila + Mil..................Vilamil
Rock + Well.............Rockwell
Buch + Mann............Buchmann
Buch + Binder..........Buchbinder
France + Lino..........Francelino
Virgo + Lino.............Virgolino (Variante: Virgulino)
Ferra + Mosca.........Ferramosca
Mucha + Gata...........Muchagata
Sal + Gari..................Salgari
Sal + Gado................Salgado
Spon + Ville...............Sponville
Spon + Chiato...........Sponchiato
Rum + Ford...............Rumford
Gian + Coli................Giancoli
Mari + Noni...............Marinoni
Caja + Mar................Cajamar
Fava + Loro...............Favaloro
Ches + Ney...............Chesney
Man + Rubia............ .Manrubia
Pira + Pin + Tingui....Pirapintingui
Oglia + Loro.............. Oglialoro
Sue + Gama..............Suegama
Blom + Kamp ............Blomkamp
Bom + Guy.................Bomguy
Bonci + Nelli...............Boncinelli
Brando + Lin...............Brandolin
Campo + Longo.........Campolongo

Se o seu sobrenome foi formado por uma junção, complete a lista no espaço de comentário deste blog, para que possamos conhecê-lo.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O PÃO DE CADA DIA (THIAGO DE MELLO)

Que o pão encontre na boca
o abraço de uma canção
construída no trabalho.
Não a fome fatigada
de um suor que corre em vão.

Que o pão do dia não chegue
sabendo a travo de luta
e a troféu de humilhação.
Que seja a bênção da flor
festivamente colhida
por quem deu ajuda ao chão.

Mais do que flor, seja fruto
que maduro se oferece,
sempre ao alcance da mão.
Da minha e da tua mão.

(MELLO, Thiago de. Os estatutos do homem.
1. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003. 
Coleção Literatura em minha casa (Poesia).).