domingo, 9 de outubro de 2016

CACHORRO COM NOME DE GENTE E GENTE TRATADA COMO CACHORRO

Um assunto que tem tirado meu sono é o comportamento de certos pais em relação aos filhos. Falo isso como mãe, professora e cidadã, pois tenho observado que tem crescido o número de casais criadores de cachorro ou outros animais, os quais têm dado mais atenção. 

Perguntei a jovens casais quantos filhos querem ter. Pasmem! Responderam: nenhum. Querem apenas criar um bichinho, de preferência um cachorro. Fiquei imaginando a árvore genealógica. Quem tiver em casa será peça de museu.

Fazem aniversário, gastam horrores para manter os de raça, mas esquecem de proteger os da rua. Colocam o nome de pessoa, tratam como um membro da família, dividindo o mesmo espaço na casa. Até aí digamos que está "tudo bem", mas por outro lado, parece que está havendo uma inversão de valores. Se é assim que posso chamar, porque já ouvi uma mulher dizer: _ Vem meu filho (com o cachorro), enquanto disse outro dia com o filho: _ Esse cachorro não presta, não vale nada. Fiquei confusa, pensando: o que posso esperar dessa mãe, desse filho e da sociedade?

Sei não. Aí o sistema educacional quer resultado positivo. Como pode ser, se eu tenho que lidar com pessoas que estão dando mais importância aos animais do que aos filhos. Os filhos se trancam no quarto com tudo à disposição, isolados da família, enquanto não fazem mais canil, pois o cachorrinho, o gatinho, o coelho, o papagaio, qualquer outro bicho vai para o colo do dono da casa. 

Pais, deem colo aos filhos. Não é mais carregar nos braços, mas ouvi-los e orientá-los. É ir à igreja, se divertir junto, acampar, fazer piquenique, ir ao parque, ao cinema, a festival, à festa, a circo.

Voltando às exigências da escola. Quais os reflexos disso? Desajuste familiar. Então, discutimos nos planejamentos como podemos ajudar, e não se encontra solução. E as notas têm que aparecer. Os pais cobram nota azul e esquecem de ver esse lado do sentimento. 

Vou reforçar o que comentei: onde está o abraço, o beijo, o cheiro? Se cachorro gosta disso, imagine gente! 

Eu falo da realidade que vivencio quando colegas de meu filho, na faixa etária de 11 anos, chegam e me abraçam. É sério! Eles chegam abraçando, e não é devido estarem cheios de carinho, é carência afetiva. Eles me acompanham na rua. Temos uma boa sintonia, mas flagrei a mãe de um deles tratando friamente.

Acredito que só conseguiremos alcançar êxito com nosso trabalho, melhorando a autoestima dos pais. A sociedade é o que o lar é: forte ou fraca. 

Samara significa protegida por Deus. Não quero que chamem uma cachorra usando meu nome. Acredito que não me soará muito bem. Sendo assim, vamos chamar nosso filho pelo nome que lhe foi dado ao nascer.

Amo os bichos, mas cada um no seu quadrado. Ouvir o chamado do nome é muito importante, e foi ouvindo as pessoas ao preparar meu livro de sobrenomes, que solidifiquei minha percepção. 

Eu aprendi que o cachorro tem a cara do dono. Acontece o mesmo com o filho. Eles só podem dar o que recebem. Portanto, está explícito que devemos encontrar o equilíbrio. Tem a hora para o cachorro e tem a hora para o filho, seja criança, adolescente ou adulto. Quer encontrar colo e braço.

Eu não deixo passar fome, não maltrato, dou carinho na forma dosada. Reconheço que o cachorro é fiel ao dono, companheiro, amigo; porém, divida esse carinho também com seu filho.

Vejam aí a hora do carinho! Eu não crio, mas gosto de ser recepcionada na casa de uma tia minha por essas duas. Uma é mãe da outra.







(A hora da cócega na barriguinha)

Não fiz o texto para polemizar, e sim, no intuito de despertar os pais para uma maior e melhor interação com os filhos, a fim de poder trazer bons resultados para a sala de aula.






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